Categoria "Textos de leitores"
30.jun.12
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Hora de ir…

Sentada na mesa de um bar com um copo de whisky, é
assim que Emy se encontrava mais uma vez, fazia isso a quanto tempo? Nem ela
mesmo se lembrava, bom na verdade lembrava, mais preferia guardar a data em que
tudo aquilo começou bem no fundo do “baú”. Era só alguns copos de whisky e uns
cigarros, depois iria para casa e esconderia de si mesma aquelas lembranças que
a faziam voltar ali todos os finais de semana. Ela tomou o ultimo gole do copo,
levantou pagou a conta e se dirigiu para a casa, a rua estava deserta por causa
do frio e do horário, tarde demais para estar saindo de casa, mais ainda cedo
para estar voltando em um sábado a noite. Após alguns minutos de caminhada uma
chuva fina começou a cair, ela colocou a toca porem não acelerou o passo, a
sensação das gotas em seu rosto era até libertadoras, ao passar pela praça viu
um casal se beijando, eles estavam tao felizes que nem ligavam para
a chuva ou para quem você olhar, como se já não bastasse as lembranças que tudo
trouxe, o bar, a chuva, ainda isso. Emy não queria ter que pensar mais ainda no
que havia acontecido a dois anos atrás, naquele mesmo lugar, ela não superara e
nunca iria fazer isso, como dizem: Quando alguém é tirado de nós não tem tempo
que faça superar.
E ele não tinha ido embora por escolha, ele nunca iria por
escolha, ao olhar mais uma vez para o casal, viu o rosto dele olhando sorrindo
para ela, mais não estava vendo ele sorrindo, estava recordando da ultima noite
em que ele sorriu para ela, eles estavam ali, sorrindo e fazendo juras de amor,
exatamente naquele mesmo local em um sábado de madrugada, ela deu mais alguns
passos até um banco e se sentou, a chuva tinha aumentado e agora ela estava
toda molhada, abriu a bolsa e pegou a carteira, retirou aquela pequena foto que
tinha dele e ficou olhando, a iluminação era pouca mais ainda dava parar ver,
ela não se permitia olhar para um retrato dele a muito tempo, ela tinha que
continuar, todos diziam isso a ela por meses após o que aconteceu, depois de
perceber que já não suportavam vê-la daquele jeito, não por se importarem se
ela estava bem ou não, mas sim por não querem ter que a suportar sendo tão
irritante com aquela maldita historia e lagrimas diariamente, ela começou a
fingir que estava continuando
e guardar as lagrimas para aqueles sábados junto
ao copo de whisky que ela tomava no bar em que eles se conheceram. Ela nunca
conseguira se recordar bem como tudo aconteceu na noite em que ele se foi,
alguns copos a mais, a chuva na hora de ir embora e aquele carro que parecia
ter surgido do nada, ao ver o farol ele gritou e a empurrou, segundos depois
ela estava sobre o corpo dele porem ele não a respondia, não respirava, varias
outros carros já tinham parado e algumas pessoas tentavam falar com ela,
perguntar se ela estava bem, como poderia estar bem? Era seu maior pesadelo e
ela não conseguia acordar. Emy se levantou e foi caminhando até a rua em que
acontecerá, a rua estava deserta e ela se permitiu ir para o lugar exato em que
abraçou o corpo dele pela ultima vez, olhou a foto novamente e as lagrimas
aumentaram, porque o tinham tirado dela? Ela nunca entendera, ela nunca
aceitaria e ela achava que por mais que tivesse errado muito, aquilo ela não
merecia, aquilo era um castigo que ninguém merecia. Ela se sentou e se
encolheu, abraçando os próprios joelhos, o carro que se aproximava só a viu
quando não dava mais tempo de parar, por mais que tentou, ao ver o farol Emy só
sentiu a batida e tudo ficando escuro, mas antes que tudo se apagasse uma mão
segurou a dela, ela conhecia muito bem aquela mão e sabia que agora estava onde
deveria, que não importava mais nada. 
Texto feito por: Beatriz Rodrigues |blog|
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